A Serra dos Alves é um distrito pequeno de Santa Bárbara, encaixado na vertente leste do Espinhaço, que funciona como porta de entrada para um dos pedaços mais bonitos e menos disputados de Minas. Não há resort, não há avenida de bares: há uma praça, algumas casas para alugar, uma mercearia que resolve quase tudo e trilhas que saem praticamente da porta das casas.
A paisagem é a do campo rupestre — capim dourado, canelas-de-ema, quartzito exposto e um céu que parece maior do que devia. Entre um paredão e outro correm cachoeiras de personalidades bem diferentes: tem a de poço calmo para levar criança, a de água escura que impressiona pela cor e tem o Bongue, com seus cerca de 50 metros de queda. O ritmo do lugar é lento de propósito. Ninguém corre, o telefone quase não toca e o dia costuma terminar com todo mundo na praça, conversando.
A melhor época para ir vai de abril a setembro, quando os acessos de terra estão firmes, o céu fica limpo e a visibilidade dos mirantes é longa — só leve blusa de frio, porque as madrugadas de junho e julho são geladas. Entre outubro e março a serra fica verde e as cachoeiras ficam cheias, mas as chuvas de fim de tarde e a lama nos acessos pedem carro adequado e mais tempo de sobra no roteiro.
Saindo de Itabira: são cerca de 40 km até a vila, com boa parte do trajeto asfaltada e o trecho final em estrada de terra bem definida. Contando as curvas da serra e o piso de terra, reserve algo entre 1h e 1h30. Carro comum dá conta na estiagem; em dias de chuva forte, veículo mais alto ajuda bastante.
Saindo de Belo Horizonte: o caminho mais usado segue pela BR-381 até a região de João Monlevade/Santa Bárbara e depois toma os acessos rurais em direção ao distrito — no total, algo em torno de 3 horas de viagem. Saia cedo: a BR tem tráfego pesado de caminhões e o último trecho não é para se encarar no escuro.
Abasteça e faça as compras maiores antes de subir. O comércio da vila é pequeno, o sinal de celular oscila e nem todo estabelecimento aceita cartão — leve algum dinheiro em espécie. Se a ideia é fazer as trilhas mais longas, contrate um guia local [VERIFICAR disponibilidade na data da sua viagem].